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Nas aldeias indígenas uma das figuras de destaque é o Xamã, mais conhecido no Brasil como Pajé e muitas vezes identificado como Feiticeiro pelos não indígenas. O Pajé é responsável pelos problemas espirituais de sua aldeia, e também pelos problemas de saúde, até porque eles são sempre considerados relacionados. Vamos dar um exemplo: se um indígena fica doente, não se considera que foi uma bactéria ou vírus que entrou no seu organismo, mas sim que seu espírito está fragilizado e por isso foi “atacado”, muitas vezes por um espírito mau ou enviado por seus inimigos.

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Olha o Alta examinando o Pajé Delegado, na Aldeia Gorotire – Kaiapó – PA

 

10 10 Com Lage Canta (19)

Garrafada preparada por raizeiros na Comunidade da Laje – RR

 

 

 

 

 

 

 

 

O Pajé então é o responsável por afastar espíritos maus, tratar os doentes, decifrar sonhos, dirigir rituais e orientar os indígenas quanto as decisões importantes da aldeia.

No tratamento de doenças o Pajé pode utilizar ervas, fumaça, orações, músicas, e chocalhos. As vezes conta com o apoio dos espíritos que vem em seu auxílio quando ele se encontra em transe.

Diferente do que imaginamos, muitas vezes o Pajé é remunerado, afinal, pela sua dedicação aos pacientes e pelo tempo gasto em busca dos ingredientes para o preparo de infusões, pastas, cremes e amuletos, dificilmente tem tempo para a caçar ou cuidar de uma plantação. Se antigamente o pagamento era uma oferta de alimentos ou algum item de interesse (ferramentas, potes, roupas, adornos e enfeites), hoje o pagamento muitas vezes é feito em dinheiro.

Em algumas etnias, há variações e especializações entre os Pajés. Assim há o que entende melhor de “veneno de cobra” e outro especializado em “quebradura”, como acontece com os Kaiapó.

Além dos Pajés, em etnias com maior contato com a sociedade não indígena, há também Rezadores e Raizeiros, que complementam o trabalho dos Pajés com funções mais específicas e sem a responsabilidade da liderança espiritual.

Chapéu de cowboy, cordão do Flamengo e fone de ouvido. Rosto moreno, queimado de sol, enfeitado pelo riso fácil e pela gentileza. Assim é o pajé Zé Rodrigues, que veio para livrar a região da Pedra Branca do Canaimé. Tomara que dê certo. Enquanto esperamos o resultado, vendo uma criança com vômitos que eu estava atendendo, ele já deu a dica: sete folhas de ata (fruta do conde / pinha) + 1 chave. Coloque tudo para ferver e faça um chá. O vômito para na hora.

13 01 Pedra Branca (95) 13 01 Pedra Branca (102) Este é o Pajé Zé Rodrigues. Gente boa e preocupado com a comunidade!

Texto retirado das Impressões Amazônicas Integrais 91

Comemorando 1 MÊS de BALAIO QUADRADO, apresentamos nosso novo personagem, o Pajé, que virá como coadjuvante nas tirinhas do Japinha e Curumim e com sua própria série: Dicas do Pajé!